Vila de Santos

Conheça a Vila do Porto de Santos em 1700

Outeiro e Capela de Santa Catarina

Inicialmente era ao pé do outeiro que erguia-se a Capela de Santa Catarina, abrigando imagem da santa doada por Luis de Góis e sua mulher Catarina de Andrade e Aguillar. Foi neste local a fundação da Vila de Santos por Brás Cubas.

Quando, em 1591, a Vila foi invadida pelo pirata Tomás Cavendish, o templo sofreu total destruição e a imagem da santa foi atirada ao mar, de onde 72 anos depois escravos pescadores do Colégio dos Jesuítas a retiraram. Levando-a ao reitor do colégio, padre Alexandre de Gusmão, este construiu nova capela, agora no alto do outeiro para ser instalada a imagem da Santa.

No final do século XIX, a Câmara Municipal decidiu destruir o outeiro e a Capela, para que a Rua Santa Catarina (hoje Visconde do Rio Branco) fosse ligada diretamente à Rua Josefina (atual Rua da Constituição).

Hoje, do outeiro restou apenas uma rocha, onde o médico João Éboli mandou construir um prédio acastelado para sua residência e que foi transformada na sede da FAMS-Fundação Arquivo e Memória de Santos.

Duas Pedras

Duas Pedras era um sítio localizado próximo ao pé do Monte Serrat.

O local recebeu o nome de Duas Pedras porque existia realmente duas enormes pedras que, para fazer o traçado da atual rua Senador Feijó, tiveram que ser dinamitadas.

Capela de Ns do Monte Serrat

A Capela de Nossa Senhora de Monte Serrat fica no cume do Morro de mesmo nome. O Monte Serrat teve inicialmente o nome de Morro de São Jerônimo.

Em 1545, Brás Cubas, que tinha sido elevado a capitão-mor, foi morar na encosta Norte do Morro, em terras adquiridas a Pascoal Fernandes por isso o morro ainda ficou conhecido por Morro de Brás Cubas.

Sendo o ponto mais alto da ilha, mais tarde ainda recebeu a denominação Morro do Vigia.

Em 1603, foi construída a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, pelo governador de São Paulo, Dom Francisco de Souza, devoto daquela santa, e a partir desta data o morro ficou conhecido como Monte Serrat.

Engenho São João

O Engenho São João foi fundado por José Adorno e seu irmão ao lado do Riacho do Itororó. Os irmãos Adorno vieram na Expedição Colonizadora de Martim Afonso de Souza quando então trouxeram dos Açores as peças para construir o Engenho que, em honra do Rei D. João III, recebeu o nome de Engenho São João.

Mosteiro de São Bento

O Mosteiro de São Bento abrigava os frades beneditinos que chegaram a Vila de Santos por volta de 1640.

O Ferreiro Mestre Bartholomeu, cujo nome completo era Bartholomeu Fernandes Mourão, junto com sua esposa fundaram em terras herdadas de seu pai, que tinha chegado com Martim Afonso de Souza, a capela de Nossa Senhora do Desterro ao pé do Monte que recebeu o mesmo nome.

Em 1650 os filhos do casal doaram para os Frades Beneditinos, além das terras onde se encontrava, a Capela, duas casas, 12 vacas, e 1 pastor índio. Em troca os Frades da Ordem de São Bento rezariam 3 missas por mês pelas almas dos doadores e seus descendentes, podendo os mesmos serem enterrados na Capela.

No local da Capela os monges construíram o Igreja de Nossa Senhora do Desterro e o Mosteiro da Ordem dos Beneditinos ou Mosteiro São Bento, local onde hoje funciona o Museu de Arte Sacra de Santos.

Rio Guaranchin ou Rio dos Soldados

Nascendo no sopé do Morro do Jabaquara, este rio seguia o curso das atuais avenidas Rangel Pestana, Campos Sales e Ulrico Mursa, desaguando na Bacia do Mercado. Quase sempre com águas salobras, este rio recebia as águas de todas as pequenas vertentes formadas na encosta Sul dos morros. Atualmente está canalizado até a Bacia do Mercado.

Igreja Matriz da Vila de Santos

Construída em frente ao Colégio dos Jesuítas e sob a Invocação de Nossa Senhora do Rosário Aparecida, a igreja Matriz era onde se realizavam os ofícios e atos religiosos de maior importância. Era a Matriz o local da Vila onde se realizavam as missas de ação de graças, missas do Natal, festa do padroeiro, e sepultamentos.

Durante algum tempo, devido as construções e restaurações do prédio da Matriz estas celebrações foram realizadas na Igreja do Colégio dos Jesuítas ou então na Igreja da Misericórdia o que causavam grandes transtornos para os padres da ordem detentora destes prédios. Depois de muito trabalho, finalmente a antiga Matriz de Santos foi sagrada em 1734 vindo a funcionar até 1908 quando então o prédio foi demolido para remodelação do centro de Santos.

Fonte do Itororó

A fonte do Itororó está situada no sopé do Monte Serrat e sempre foi servida por água límpida e cristalina, que brotava da rocha no meio do morro.

Na Fonte do Itororó começava o ribeiro do mesmo nome que mais tarde, devido a Construção do Convento do Carmo, passou a ser chamado de Ribeirão do Carmo.

Era costume na Vila do Porto de Santos que muitas pessoas fossem até lá a fim de saborear o bom líquido. As tripulações dos navios que atracavam no porto gostavam de se abastecer com a água da Fonte de Itororó. Também os tropeiros e viajantes que passavam por ali, sempre paravam para descansar e beber da água límpida e cristalina da Fonte.

Riacho do Itororó ou do Carmo

Nascendo no Monte Serrat, ex-Morro do vigia, no ponto onde existe a fonte de Itororó, suas águas passam ao lado do Convento do Carmo desaguando no estuário. O riacho atualmente canalizado corre sob as ruas Itororó, Augusto Severo e Praça Barão do Rio Branco, desaguando no Estuário.

Igreja de NS da Misericórdia

O Hospital e a igreja da Misericórdia foram construídos em 1665 através de um requerimento feito ao Rei pela Irmandade de Misericórdia e atendido pela provisão assinada por D. Jerônimo de Ataíde, Conde de Atouguia e Governador Geral do Brasil.

Neste ano de 1665 completava-se no local, chamado Campo da Misericórdia, a construção do hospital com a igreja. Esta Igreja situada no local onde hoje é a praça Mauá esteve por muito tempo sendo utilizada para casamentos e batizados até a construção da Matriz da Vila, quando então passou a ser consagrada a Santa Isabel.

Demolido o conjunto Hospital-Igreja para o alargamento das ruas da cidade, o mesmo foi transferido para o sopé do Monte Serrat onde a irmandade de Misericórdia reorganizou a Santa Casa de Misericórdia.

Igreja de São Francisco de Paula

A Igreja de São Francisco de Paula foi construída ao pé do Monte Serrat ou do vigia, próximo a nascente do riacho São Jerônimo.

Quando foi construída era dedicada à São Jerônimo. Mais tarde esta Igreja passou a ser consagrada a São Francisco de Paula pela provisão do Bispo D. Mateus de Abreu Pereira.

Há muito tempo foi demolida, e hoje, devido a existência desta Igreja permaneceu o nome da Rua São Francisco, que naquela época era apenas um caminho para a fonte do Itororó.

Riacho de São Jerônimo

Nasce no Monte Serrat ex- Morro do vigia que em certa época também foi chamado de monte São Jerônimo, daí a origem do nome. Agora canalizado, suas águas atravessa sob a atual Praça dos Andradas e a rua Conde D'Eu, desaguando no Estuário.

Ribeirão do Desterro ou de São Bento

Córrego pedregoso que nascia no Morro São Bento e passava defronte ao convento de São Francisco e Igreja de Santo Antonio do do Valongo, no atual Largo Marquês de Monte Alegre, desaguando no Estuário.

Alojamento dos Soldados

A Vila do Porto de Santos, devido a sua localização estratégica era considerada em 1685 uma Praça D’Armas, isto é, a praça responsável pela defesa do Litoral.

A ajuda para defesa do litoral contra ataques de piratas e corsários era na forma de navios militares que zarpavam do porto da Vila de Santos.

Os soldados e os comandantes de diversas patentes moravam na Vila e era frequentes as marchas militares pela ruas da Vila.

Casa do Conselho ou Câmara

A casa do Conselho, além de servir como cadeia, era o local onde se faziam os julgamentos, se discutiam e tomavam-se as decisões políticas na Vila do Porto de Santos. Os decretos com ordens do Rei vindas da metrópole Lisboa, eram lidos e cuidados para que se cumprissem à risca.

O Conselho da Vila era composto por um Juiz ordinário, três Vereadores, um Escrivão e um Procurador ou tesoureiro, todos eleitos pelos ‘homens bons’ da Vila. O Juiz ordinário só perdia a autoridade na presença do chamado ‘Juiz de Fora’, nomeado pelo Rei. Entre os vereadores, o mais velho era o presidente da Câmara, e tinham a incumbência de zelar pelas posturas das fiscalizações, asseio e policiamento da Vila.

O prédio do Conselho foi construído em 1582 e situava-se próximo ao Convento do Carmo. Foi restaurado em 1697 onde ainda funcionou durante muito tempo.

Em 1869 um novo prédio foi construído em outro local sendo chamado de cadeia nova. Nesta época o prédio antigo foi considerado imprestável e demolido, e todo o material foi vendido em leilão publico.

Convento da Venerável Ordem Terceira do Carmo

Em 24 de Abril de 1589 Brás Cubas doou aos primeiros Carmelitas chegados a Vila de Santos um terreno na Rua do Sal com a finalidade da Construção do Convento da Ordem. Em 1599 junto ao córrego do Itororó os Frades iniciaram a construção do Convento e das igrejas de Ns do Carmo e da Ordem terceira.

Apesar de hoje o Convento não funcionar mais no local, ainda existe o belo conjunto barroco do Convento com as igrejas, que, depois de sofrer algumas reformas, ainda mantém a fachada original.

Alfândega

A casa da Alfândega servia para regulamentar as cobranças das rendas gerais do Rei e dos Donatários. Em 1548, chegou a Vila do Porto de Santos o Provedor-Mor da Fazenda Real, Antônio Cardoso de Barros com a finalidade de construir um prédio para a Alfândega. Dessa forma a Alfândega iria controlar as cobranças de impostos, mantendo regularidade na arrecadação do reino.

A primeira alfândega da Vila do Porto de Santos foi fundada em 1550 e situava-se junto ao prédio do Conselho da Vila.

Em 1570 a alfândega mudou-se para um barracão perto do Valongo. Neste local a Alfândega ficava mais próximo do pequeno Porto, local onde havia atracação das Naus e era chamada de Alfândega Nova.

Convento de São Francisco e Igreja de Santo Antônio do Valongo

As obras do Convento de São Francisco foram iniciadas em 1640 pelos padres Franciscanos. Primeiramente foi construído o Convento e junto e este, perpendicular a Igreja, uma Capela da Ordem terceira de São Francisco da Penitência. Sendo a Igreja construída depois do Convento a primeira Missa só foi celebrada em 24 de Março de 1691.

Nos anos de 1860 a 1862 todo o conjunto foi vendido para a estrada de Ferro, mas depois de protestos de populares somente a ala esquerda do convento foi demolida para a construção da estação.

Hoje só resta a igreja de Santo Antonio do Valongo que é um belo conjunto de Arte Barroca.

Forte da Vila

No tempo de Brás Cubas, em 1554, foi construído junto ao Ribeirão de Itororó o Forte da Vila ou de Mont Serrat. Ele se localizava próximo ao outeiro de Santa Catarina, entre o Colégio dos Jesuítas e os Quartéis.

O Forte da Vila era utilizado na defesa da povoação contra a invasão de Piratas.

A Vila de Santos sofreu quatro invasões de piratas e nestas ocasiões o Forte servia para proteger os moradores e a alfândega.

Por volta de 1870, suas dependências passaram a servir de quartel do Destacamento policial da cidade.

Com a reforma do prédio da Alfândega, em 1876, o que restava da antiga fortaleza foi aproveitado para a construção de um galpão e outras instalações. Totalmente demolido os últimos vestígios do Forte foram utilizados quando na construção do porto pela Cia. Docas de Santos.

Hoje, o local onde existiu o Forte da Vila é onde estão algumas das áreas dos prédios da atual Alfândega e Praça da República.

Colégio dos Jesuítas ou de São Miguel

O Colégio dos Jesuítas foi o primeiro prédio utilizado para o ensino e educação do povo da Vila de Santos. Neste local as crianças, os jovens e adultos moradores da Vila, e mesmo os índios, iniciavam os seus estudos com os jesuítas que alfabetizavam e ensinavam catecismo, canto, dança e musica.

Este Colégio foi fundado em 1585 para funcionar no prédio onde até aquela data, se instalava o Conselho da Vila. Naquela época o Padre José de Anchieta, desejava transferir os jesuítas de São Vicente para a Vila de Santos onde ele achava que era uma região mais propícia para a prática da catequese.

O Padre José de Anchieta e o Visitador da companhia de Jesus Cristóvão de Gouveia, consideravam o imóvel um excelente estabelecimento de Ensino literário e religioso.

Atendendo ao pedido de Anchieta os vereadores do Conselho doaram o prédio aos Padres quando mudaram o Conselho para o prédio da Câmara.

Capela de Nossa Senhora da Graça

Em 1562, José Adorno e sua mulher D. Catarina Monteiro construíram nas proximidades do riacho São Jerônimo a Capela dedicada à Nossa Senhora da Graça.

Em 1580 quando chegaram na Vila do Porto de Santos os primeiros padres carmelitas liderados por Frei Domingues Freire, os religiosos se obrigaram nesta Capela por falta de acomodações melhores. Nesta época a capela ainda era de propriedade de José Adorno, o homem mais rico da Vila.

Nove anos depois, em 1589, quando Brás Cubas doou um terreno vizinho para que os Carmelitas fizessem sua morada José Adorno também fez a doação da Capela aos Carmelitas. A Capela da Graça existiu até o ano de 1900 quando então, em estado precário foi demolida para alargamento de ruas na cidade.

Capela Jesus, Maria e José

A Capela da trndade ou de Jesus, Maria, José - A Sagrada Família - que também foi conhecida por Capela do Carvalho e Capela do Terço, ficava na Rua da Praia, depois denominada Rua Antônio Prado e hoje Rua Tuiuti, onde se situa o prédio nº 45.

A Capela de Jesus, Maria, José - pertenceu ao coronel José Antônio Vieira de Carvalho, por herança de seu tio o sargento-mor Antônio José de Carvalho, familiar do Santo Ofício e um dos homens mais ricos de Santos na época. "O coronel José Antônio Vieira de Carvalho era personalidade de evidência na vida social, política, religiosa e administrativa de Santos, sendo juiz, vereador e presidente da Câmara Municipal em 1808.

Durante muitos anos, a Capela de Jesus, Maria, José foi o templo da devoção das famílias santistas. Seu prédio foi demolido em 1902, já em ruínas, por medida da Intendência Municipal.

Cortume

Localizado ao lado do Riacho do Desterro o Cortume da vila do Porto de Santos era o local onde se fazia o tratamento de couro de animais e servia como matadouro.

Casa do Trem Bélico ou Casa do Trem Real

A Casa do Trem Bélico ou Casa do Trem Real foi construída por volta de 1600, também era conhecida como ‘A casa da Pólvora’. Este prédio era o arsenal da Vila, isto é, o local de armazenamento das munições e armas da Vila do Porto de Santos.

A Vila do Porto de Santos, devido a sua localização estratégica era considerada em 1685 uma Praça D’Armas, isto é, a praça responsável pela defesa do Litoral. A ajuda para defesa do litoral contra ataques de piratas e corsários era na forma de navios militares que zarpavam do porto da Vila de Santos.

A Casa do Trem Bélico está situada na atual Rua Tiro Onze, e foi bem conservada desde a sua construção até hoje. Totalmente restaurada, Casa do Trem Bélico é aberta a visitação pública fazendo parte do roteiro turístico pelo centro histórico de Santos.

Pelourinho

No Brasil colonial o Pelourinho era o símbolo do poder do Império Português e representava a lei.

O primeiro pelourinho da Vila do Porto de Santos foi erguido por Brás Cubas no dia da apresentação do Foral da Vila e ficava perto dos quartéis, mais precisamente entre o mar e a casa do trem bélico.

Em 1697 caiu o Pelourinho antigo erguido por Brás Cubas, e foi erigindo outro mais moderno junto à Casa do Conselho ou Cadeia, próximo ao Convento do Carmo.